Djenné, vila onde o tempo quase parou
As quelhas de Djenné
Mercado de Djenné
Mesquita de Djenné com visita guiada
segunda-feira, 13 de junho de 2011
sábado, 11 de junho de 2011
Em Bamako a tratar de nós e das máquinas
Sexta-feira, 10 de Junho - Entrámos em Bamako na Quinta-feira, já noite cerrada, depois de termos «despachado» mais de 800 quilómetros desde Mopti: foi uma opção deliberada, porque sentíamos necessidade de uma cama, de tratar dos vistos (os que tínhamos eram provisórios, digamos assim) e de resolver problemas nas viaturas. A capital do Mali era o local indicado e por isso «devorámos» tanto alcatrão, partindo de Mopti.
Em boa hora o fizemos, pois encontrámos um francês, o Roger, que aqui está radicado e é um especialista em Land Rovers. É, aliás, o único, porque o concessionário da marca existe mas é como se não existisse. O Mário Pinto lá solucionou o problema de um rolamento, veremos de um dos injectores do Disco do Eládio fica a funcionar certinho...e o motor deixa de parecer uma cafeteira.
Não há muito para dizer de Bamako, a não ser referir o trânsito caótico por toda a cidade, o calor e humidade insuportáveis, o comércio de rua que prolifera e onde se vende tudo, os problemas com os cortes de energia que, ao que nos dizem, são frequentes e nos levou a esquecer a sugestão de um hotel encontrado num guia (mal chegámos para ver os quartos a luz foi-se...) e a procurar outro que tivesse um grupo gerador que não nos deixasse às escuras a qualquer momento. Ah! Resta dizer que o jantar, umas belas espetadas de peixe «Capitan do Níger», que presumimos ser um tipo de pesca, estavam deliciosas, bem como a cerveja, de pressão!, estava geladinha. Sentimo-nos regressados» à «civilização».
Aproveitámos a manhã de Sexta para ir aos serviços de emigração, onde a gentileza do Mário conseguiu dar a volta à funcionária que já se estava a preparar para apenas nos entregar os vistos na Segunda-feira, para dar uma lavadela às máquinas (nós tínhamos tomado um bom banho na noite anterior, obviamente!), lubrificá-las e, como já foi dito, ir com elas ao Roger para amanhã, Sábado, ver se todas ficam afinadinhas e arrancarmos de novo para a pista, agora a caminho do Senegal.
O país Dogon - Beleza inacreditável!
Quinta-feira, 9 de Junho – Acordámos cedo, muito cedo, porque a etapa prevista era dura e demorada. E acordámos de novo rodeados pelas muitas crianças que, na noite anterior, olhavam espantadas como aquelas caixotas que estavam em cima dos jipes se transformavam em pequenas casinhas e só se afastaram depois de ouvirem a promessa que, amanhã de manhã há «cadeaux», hoje não!
Entraramos já no País Dogon, tinhamos tido uma pequena imagem, mas o melhor estava ainda para vir! E podemos garantir que foi uma manhã de sonho, esta de Quinta-feira. As características aldeias Dogon, a pista que corre ao lado da falésia de Bandiagara, a travessia da garganta desta cordilheira, o encontro com o natural de Barcelona que vive numa destas espantosas aldeias, a imensidão da planície (onde outrora, dizem, existia uma densa floresta, leões e elefantes, o que obrigou as populações a escavar as suas habitações nas escarpas da montanha) – tudo foi surpreendentemente belo, grandioso, impressionante de força, constrastante pela pobreza em que se vive e pelo muito que se trabalha para se poder retirar rendimento da terra...
Foi uma manhã verdadeiramente alucinante, daquelas que nunca conseguiremos retratar por palavras e que nem mesmo as imagens são capazes de transmitir toda a beleza e espectacularidade de uma região fabulosa. Foi uma manhã riquíssima de sensações.
Dourou, Nombori,Ireli, Banani – são nomes (de aldeias) que não mais será possível esquecer. Como diz o Mário - ainda bem que nos trouxeram aqui!
Tombouctou – A desilusão e a confusão
É verdade, foi uma desilusão. Em todos os sentidos. E além disso, o local onde até hoje (estamos a escrevinhar estas notas na sexta, três dias depois) pior fomos tratados.
Tomboctou, cidade que fez parte do imaginário de muitos aventureiros, deste ou de séculos passados, nada tem que mereça destaque. Talvez a sua mesquita, talvez o edifício da sua universidade, mas no geral, quem ali chega com uma imagem fabricada...desilude-se!
Além do mais, fomos claramente «assaltados» pelos vistos o único restaurante que estava em condições de nos fornecer uns cuscus acompanhados por dois pedacinhos de coiro (tão dura era a carne) e uma tijela de molho. O homem quis claramente resolver os seus problemas financeiros ou terá pensado que eramos do FMI. Não sabemos.
O que sabemos é que nos recusámos a pagar, ameaçámos até chamar a polícia. E tão escandaloso era o «roubo» que os «vendedores» (de artesanato tuareg, pois claro, e até de autocolantes, o que deixou o Labaredas radiante da vida) que a nós se «colaram» entraram em violenta discussão com o autor do «assalto». E que discussão!!! Acabou com um deles a dar um estalo no do restaurante e o Mário, com a sua calma tão olímpica que até enerva, a dizer que pagávamos metade e ia com muita sorte.
Saímos de Tombouctou rapidamente! Era um objectivo, fora alcançado! Mas nem pensar em lá voltar!
O tubo, o mecânico pouco especializado
E O NOSSO BRILHANTE «ENGENHEIRO» JÓ-JÓ
Quando regressávamos de Tombouctou, onde tínhamos chegado na Terça-feira, aconteceu a primeira rotura no carro do Mário. O apoio do amortecedor do lado direito voltou a partir e este rompeu o tubo do gasóleo. Jipe imobilizado, o Jorge Franco debaixo dele, chave para cá, alicate, luz...nada a fazer. Vá de rebocá-lo até um «camping», o Tenere,que tinhamos visto na ida.
Montámos acampamento e perguntámos, pelo sim pelo não, se no meio daquele nada não haveria um mecânico. Havia, sim senhor, mas não era muito especializado – foi a resposta. Chamado o homem, o Jorge lá explicou o problema e o homem disse logo – eu resolvo!
Ficámos surpreendidos, mas a verdade é que o rapaz tinha imaginação, conseguiu mesmo abrir rosca numa peça, arranjar tubo (de gás!) e pôr o jipe a funcionar. Para quem não era especializado, fizera um trabalho óptimo.
É claro que a qualidade do tubo deixava muito a desejar e, até hoje (sexta-feira) já por mais duas vezes lá teve o «engenheiro» Jorge de suar as estopinhas e conseguir sempre solucionar o problema. A última foi mesmo à entrada de Bamako... e quando já todos pensavamos no que seria entrar na cidade com o jipe a ser rebocado pelo meio dos milhares de motociclos que circulam segundo a lei do mais forte.
Mas o Jorge foi grande e, mais uma vez, pôs a máquina a andar. Também mais uma vez, perante a calma olímpica do Mário Pinto. É certo que o Jorge tinha tubo a sério, mas não fossem os dedinhos dele e tinha sido o bom e o bonito.
É preciso ter lata... pró jantar
Sempre ouvimos dizer que não devemos habituar mal as pessoas, porque depois somos sempre obrigados a manter um nível de qualidade elevado. Vem isto a propósito dos jantarinhos que o Eládio tem preparado para a rapaziada, os quais têm merecido rasgados elogios dos manducantes.
Ora, na quarta-feira à noite, o nosso «chef» decidiu optar pelos enlatados. Choucroutte com salsichas e lentilhas também com este tipo de enchido, antecididos de um resto de bacalhau com grão que sobrara da refeição anterior. Algo afrancesado! Nem queiram saber – ia caindo o Carmo e a Trindade, tantas foram as reclamações.
O comentário mais positivo foi – isto está uma merda! E farto de levar no toutiço, lá se teve de apressadamente arranjar um arrozinho com chouriço. Esse sim, satisfez, havendo até quem se batesse com três pratos...
E ficou decidido – pró jantar, lata...jamais!!!
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