quinta-feira, 16 de junho de 2011

O fim da picada

Segunda-feira, 13 - Era dia de Santo António, mas nós, como não tínhamos sardinhas, fomos armados em manjericos visitar o parque nacional de Niokolo Koba. Ouvida a opinião de um dos guardas oficiais do parque, pagas as respectivas portagens, arrancámos convictos que iria ser um dia cheio – prometiam-nos uma bela flora e uma fauna ainda mais rica. O tal guarda até nos disse que, uns dias antes, um leão tinha aparecido junto à estrada.
Pois bem, a flora, sim senhor, era magnífica, mas a fauna... lá se viram uns quantos macacos, uns impalas (ou bicho semelhante), umas galinholas, uns porcos selvagens e... nada mais! 
Mas o pior estava para vir. O tal guarda do parque tinha garantido que poderíamos seguir um determinado trajecto, que por acaso até nos encurtava o caminho para Dakar. Pois... Nós, manjericos, acreditámos. Mas a realidade era outra – andámos por picadas por onde há muitos anos não passava uma viatura, através de verdadeiras cortinas de bambú, sem encontrar vivalma, a não serem dois pescadores que, por acaso, também nos informaram...mal!
E chegámos a um ponto em que nem pista, nem trilho, nem nada que se parecesse! O sol começava a descer no horizonte e a opção foi voltar para trás, regressar ao ponto de partida. Assim se fez, sob uma tempestade impressionante, com relâmpagos que tornavam desnecessário o uso de faróis e raios que...os partam, que rasgavam o céu e a cada minuto parecia que iam cair ainda mais perto de nós.
Resumindo, foram 290 km que levaram umas dez horas a fazer! E quando chegámos, as desculpas do guarda (que até nos ajudou a mudar o pneu que furara, mesmo ali à sua beira) não impediram as pragas que lhe rogámos.







A Estrada Lunar

Terça-feira, 14
Foi rolar até Dakar, por uma estrada alcatroada que, de início, até parecia uma auto-estrada. Mas foi sol de pouca dura, pois após Kaoback aquilo tornou-se numa superfície lunar, tamanhas eram as crateras. Já eram assim há 15 anos, quando o Mário por aqui passou. Calculem, por conseguinte, como elas cresceram desde então.
Ainda por cima, o Disco do Eládio voltou a furar...a 22 míseros km de Tambacounda, onde foi possível reparar os dois pneus (um tinha ido à vida na noite anterior, felizmente que no sítio certo – se é que há sítio certo para furar – mesmo quando nos preparávamos para montar acampamento).
Menos mal que se aproveitou o tempo para tomar o pequeno-almoço porque com a chuva que caíra toda a noite e manhã impedira de tomar no acampamento.


O Mancha Negra

Aliás, esta avaria, detectada já em Bamako e não resolúvel, até já deu origem a uma “alcunha” - como o injector do quinto cilindro não funciona correctamente, a fumaceira é tal que passou a ser conhecido pelo Mancha Negra!
Anda devagarinho, mas tem uma vantagem – vê-se à distância.
Anda devagarinho, mas anda, e estou convencido que há-de chegar a Vieira do Minho!

Um dia na oficina a duas velocidades - Devagar e…parados!!!

Como estivemos estes dias sem acesso à net, vamos fazer um reset do que foram estes últimos dias, começando pelo de hoje, em que escrevinhamos estas linhas, ou seja, Quarta-feira.
Foi um dia “estupidificante” - não sei se o termo está contemplado no acordo, mas se calhar até está. Como tínhamos jantado que nem lordes (ó Tinoco, isso aí em Braga sem o Mário não é a mesma coisa!), dormido bem e pequeno-almoço do melhor, fomos para o concessionário da Land Rover bem dispostinhos. O Defender iria meter amortecedores novos, o Disco verificar a possibilidade de melhorar a injecção ou, pelo menos, confirmar se o problema era mesmo esse.
O Mário saiu de lá eram quase cinco da tarde, o Eládio já depois das seis!!! Aqui em África é difícil montar um par de amortecedores e mais ainda ligar o carro à máquina e fazer o diagnóstico da situação. E até para pagar a conta há que esperar... Tudo funciona a duas velocidades: devagar e parados!
Menos mal que o Defender ficou pronto, mas o Disco vai continuar a trabalhar aos soluços e para ele tudo que seja areia (leia-se praia) acabou!

Súbita e Inesperadamente…Chegou o “Amortecedor” do Mário

Quarta-feira, dia 15 – Tinha sido um dia difícil, o da chegada a Dakar. Sobretudo pela quantidade de quilómetros que tivemos de fazer e pela lentidão com que os fizemos, muito por causa de um problema num injector de um dos Disco, que limitava a sua velocidade a uns míseros 80 km/hora... quando em terreno plano.
Mas que acabou em beleza, para nós e, em especial, para o nosso Mário Pinto. Para nós porque a Guadalupe e o Filipe nos receberam principescamente, como aliás esperávamos sabendo como eles são e se comportam com os amigos – hospitalidade, amizade, disponibilidade total, ou seja, fizeram nossa a sua casa e, além disso, ainda fizeram questão de pagar o magnífico jantar. Casal não cinco, mas dez estrelas. Cada, claro! Para o Mário, porque nos surpreendeu a todos... Explicamos:
O homem veio toda a viagem a dizer que tinha mandado vir de Portugal um par de amortecedores para substituir um que se tinha partido. Viriam no voo da Tap que saíra de Lisboa às 22 horas de Terça-feira e, por isso, tinha de estar no aeroporto por volta da uma da manhã. E pouco antes, ele e o Filipe lá arrancaram para o aeroporto, para levantar o material.
Mas, qual não foi o nosso espanto, quando, súbita e inesperadamente, ele regressa trazendo não só os amortecedores mas o seu muito especial “amortecedor” - a sua mulher! É verdade, a Paula está aqui connosco e vai acompanhar-nos até ao fim. Bem-vinda a bordo, Paula!

terça-feira, 14 de junho de 2011

Terça-feira, 14 de Junho

Chegamos a  Dakar e o nosso primeiro pensamento foi para o Jorge, que nos deixou na Sexta-feira em Bamako. Sabemos quanto ele gostaria de estar aqui e ele sabe quanto nós gostaríamos que ele aqui estivesse.
Foram dias alucinantes desde o Senegal estar fechado por ser Domingo, furos, amortecedor partido, reabrindo pistas por onde há muito só passavam macacos, de noite, mas iluminados por uma assustadora trovoada, aconteceu de tudo um pouco, nos mil quinhentos e vinte quilómetros e trinta e três de condução que separaram as duas capitais.
Há portanto muitas histórias para contar, mas não hoje porque nos espera um bom banho, um bom jantar e uma boa cama.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Outras fotos

Água fonte da vida
Avaria onde menos se espera 
É lindo, não é?
Fábrica de tijolos
O Rio Níger
Os burros esses nobres animais

Pátio tradicional
Pastoras bonitas